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domingo, 15 de novembro de 2015

Jesus glorificou a si próprio diante de Deus com seu sacrifício




José Reis Chaves

Sabemos que Jesus é um homem, e respeitamos os que pensam que Ele é também outro Deus absoluto todo-poderoso tal qual o Deus incriado.

Ele assumiu a sua missão de vir ao nosso mundo como enviado de Deus para trazer-nos o evangelho que, ao ser seguido, nos salva ou liberta. E essa missão foi cumprida com muito gosto e amor por Ele. Daí que Ele cresceu muito diante de Deus que o glorificou. E é por isso, também, que Ele é chamado de nosso irmão maior e nosso modelo para a busca da nossa perfeição máxima.

Mas isso não é fácil. E Ele próprio nos ensinou o que devemos fazer para passarmos pela difícil porta estreita que simboliza a salvação. Segundo Ele, muitos querem passar por ela e não conseguem. É que eles não têm ainda méritos para isso. E eu digo que muitos, por enquanto, nem querem passar por essa porta! Mas é claro que esse dia, no futuro, vai chegar para eles também, pois para isso o espírito é imortal e existe a reencarnação.

E eis dois exemplos claríssimos de como se consegue a salvação. Referindo-se ao juízo final, Ele fala nos eleitos ou salvos que terão o mérito para transpor a porta estreita. À direita, ficarão aqueles que tiverem dado de comer a quem teve fome, que vestiram os nus, que visitaram os enfermos etc. E à esquerda ficarão aqueles que não fizeram essas coisas, e que, pois, tomaram bomba ou que ganharam segunda época na escola de aprendizagem e prática do bem que é este nosso mundo. O outro exemplo é o da parábola do bom samaritano, que se enquadra neste seu fundamental ensino: tudo o que fizestes ao menor de todos, isto é, o maior pecador irmão Dele e de nós foi feito a Ele próprio. Esse modo de Jesus falar que o bem e o mal feitos às pessoas foram feitos a Ele mesmo é porque Ele cumpre de modo perfeito o mandamento divino de que nós devemos amar nossos semelhantes como amamos a nós mesmos.         Aliás, Ele resumiu os Dez Mandamentos em dois: amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a si mesmo. “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?” Respondeu-lhe Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mateus 22: 36 a 40). Com esse ensinamento, Jesus nos dá uma síntese de tudo o que devemos fazer para que possamos conseguir a nossa salvação ou libertação. Mais claro do que Jesus diz, só se desenharmos! Mas há religiosos fanáticos que negam isso!

Vejamos outra fala Dele escrita por Lucas: “Porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?” Lendo essa passagem, sem uma visão preconcebida, entende-se que, primeiro, Ele teria que padecer para só depois, ato contínuo, Ele entrar na sua glória como que se glorificando a si próprio e recebendo uma recompensa pelo seu padecimento. Isso quer dizer que Ele cresceu diante de Deus pela sua missão bem-cumprida. E até nisso, Ele, que como homem que atingiu o máximo de perfeição (Hebreus 5: 9), deixou um exemplo de que nós, igualmente, não devemos medir esforços para cumprir bem a nossa missão, de acordo com a vontade do Pai, para que, em retribuição, recebamos também a nossa glória!

A doutrina evangélica das obras e a paulina de sacrifícios e da graça



 José Reis Chaves
É bem conhecida a doutrina da salvação pelo sacrifício da morte de Jesus na cruz e pela graça, as duas muito defendidas por são Paulo. Mas existe outra doutrina da salvação por obras ensinada por Jesus e são Tiago.

O judaísmo acreditava muito em que os sacrifícios fossem agradáveis a Deus e que anulassem os pecados. E Paulo levou essa crença para os autores do Novo Testamento e, ipso facto, para o cristianismo.               Mas o verdadeiro Deus jamais poderia deleitar-se com sacrifícios de animais e menos ainda de pessoas. De fato, só podem agradar de sacrifícios espíritos atrasados e sádicos. “Misericórdia quero, e não sacrifícios” (Mateus 9: 13).

O profeta vidente precognitivo Oseias até profetizou essa condenação feita por Jesus: “Pois eu quero misericórdia, e não o sacrifício” (Oseias 6: 6). Paulo viu no sacrifício de Jesus na cruz o sacrifício perfeito que dispensaria todos os demais. Para ele, a morte de Jesus substitui com perfeição, e de modo eficaz, todos os sacrifícios, que, então, já não são mais necessários. E pode-se dizer que Paulo foi como que pego a laço pelo Espírito de Jesus já desencarnado, na estrada de Damasco, para ser um grande divulgador do evangelho. E Paulo concluiu ter recebido de graça essa missão de Jesus, porque ele era até um perseguidor do cristianismo e, inclusive, chefiou o apedrejamento de santo Estevão, o primeiro mártir cristão. E como, então, foi ser escolhido para tão grande missão? E ele concluiu que isso foi de graça. Também santo Agostinho, antes de sua conversão do maniqueísmo para o cristianismo, teve uma vida semelhante à de Paulo. E achou que esse encontro com a verdade cristã foi também uma graça que Deus lhe deu. E, assim, abraçou também as doutrinas paulinas da alossalvação (salvação vinda de fora), ou seja, do sacrifício de morte de Jesus na cruz e a da absurda salvação de graça.

E veio o frade agostiniano Lutero que, não querendo depender mais do papa, mas exclusivamente da Bíblia, criou a sua famosa tese “Sola Scriptura” (seguir somente as Escrituras e com livre interpretação), criando essas duas doutrinas para os protestantes. Mas os evangélicos passaram a defendê-las com um doentio fanatismo. E eles interpretam todos os textos bíblicos sob a ótica dessas duas doutrinas.

Mas qual ensino vale mais, o de Jesus, contrário a essas doutrinas, ou as de Paulo, Agostinho e Lutero? Fiquemos com o ensino de Jesus, que disse: “Eu não vim chamar justos, e sim pecadores (ao arrependimento)”.     Como se entende por esse texto, o pecador se salva por ele mesmo, e não pela morte de Jesus nem de graça, mas por uma atitude assumida por ele próprio, isto é, a atitude de seu arrependimento, que, inclusive, deve ser muito sincero. Mas é comum muitos evangélicos fanáticos, apreciadores da morte de Jesus na cruz e da salvação de graça ou da preguiça, entenderem que nós não podemos nem precisamos fazer nada para a nossa salvação. Vão gostar de moleza assim na China!
Porém, é o próprio são Paulo que, em outro momento, nos ensina que a salvação depende, sim, de nós também: “(...) justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo seu procedimento” (Romanos 2: 5 e 6). Assim, pois, não rasguemos o evangelho, pois a vivência dele é que, realmente, nos salva!

Se Jesus fosse Deus mesmo, seria imutável, e não viraria homem



 José Reis Chaves 

O Concílio Ecumênico de Niceia (325) decretou um dos mais polêmicos dogmas cristãos, o de que Jesus é Deus.

Conheço muitas pessoas das várias correntes cristãs que dizem que Jesus é Deus, mas apenas figurado, e não verdadeiro. Isso porque os seus líderes religiosos não têm argumentos convincentes de que Jesus é Deus mesmo. A resposta de que se trata de um mistério de Deus não cola mais, a não ser para as crianças. E os padres até evitam explicar essa questão em suas prédicas. E se alguém lhes faz perguntas sobre isso, eles, agora, estão dizendo: faça curso de teologia. Todos os padres fazem esse curso, mas só podem ser ordenados padres, se eles se comprometerem a aceitar, sem questionamentos, os dogmas.

E a coisa se complica mais ainda, porque a Terceira Pessoa Trinitária é tida também como sendo o Deus Espírito Santo. Deus Pai, ninguém nega que Ele é o Espírito Santo por excelência, o número um, a Causa Primeira de todas as coisas e a Inteligência Suprema (espiritismo), único Ser Incontingente (são Tomás de Aquino) e a causa causante de todas as coisas. Mas qual é o Espírito Santo verdadeiro, o do Pai da Primeira Pessoa ou o Espírito Santo da Terceira Pessoa? Cremos que seja o do Pai. Pela Bíblia, o da Terceira Pessoa é uma espécie de coletivo designando todos os espíritos desencarnados. “Nosso corpo é santuário ‘de um’ Espírito Santo” (1 Coríntios 6: 19) como está no original grego, e não “do” Espírito Santo como fazem erradamente os tradutores, dando a entender que se trata daquele Espírito Santo único da Terceira Pessoa.

Jesus pode até ser Deus, mas relativo, pois é criatura, e não absoluto, como o é o Deus Pai incriado. Quando Jesus fala que Ele e o Pai são um, Ele quer dizer que Ele está plenamente sintonizado com o Pai. E assim 

Ele dizia: A doutrina que prego não é minha, mas daquele que me enviou. É como um embaixador que representa o presidente de um país em outro país. Se houver algum problema entre as duas nações, o embaixador e o seu presidente são um em sintonia, pois seus pontos de vista são convergentes. O que o embaixador fala é tido como sendo a fala do seu presidente para o outro presidente. Lembremos que o Deus Pai tem sua identidade e Jesus tem também a sua. Um, pois, não é o outro. E ensinou Jesus que o Pai é maior do que Ele (João 14: 28). É maior porque Deus Pai é o Deus único e verdadeiro. Se Jesus fosse também Deus verdadeiro e absoluto, Ele e o Pai seriam do mesmo tamanho em poder divino, não havendo um maior nem outro menor do que o outro.

Sei que os teólogos dizem que o Pai é maior do que Jesus no sentido de que Jesus é também homem, e não no sentido de que Ele é Deus. Mas que Ele é um homem não se discute, pois temos certeza disso e é bíblico. Agora, os teólogos, sem o respaldo da Bíblia, o transformaram em outro Deus absoluto, quando Ele, como já vimos, só o é relativo, pois o cristianismo não é politeísta. E Ele era o Verbo de Deus, sim, e o Verbo era Deus, mas relativo, e não absoluto, pois é Filho de Deus. “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2: 5). E se Jesus fosse Deus mesmo absoluto, Ele não poderia transformar-se, tornando-se homem, pois Deus é imutável!

É com a morte ou o evangelho que Jesus resgata os pecados de muitos?




José Reis Chaves

Os primeiros discípulos de Jesus, os autores do Novo Testamento e o próprio Jesus eram todos judeus. Por isso, não foi fácil, com exceção Dele, eles livrarem-se da doutrina judaica de sacrifícios para pagar pecados a Deus e, por influência dela, da morte vicária (pagadora) de Jesus na cruz. Paulo foi quem mais a difundiu. Como seus escritos são os mais antigos do Novo Testamento, eles influenciaram os demais autores. Mas Jesus ensinou contra ela: “Misericórdia quero, e não sacrifícios” (Mateus 9: 13).

Eis como é essa doutrina de que sacrifícios são agradáveis a Deus e de que, pois, paga pecados: Deus ficou muito aborrecido com a humanidade por causa dos pecados dela, mas voltou a sorrir para nós quando aconteceu o sacrifício da morte de Jesus na cruz, sacrifício esse que teria agradado tanto a Deus que substituiria todos os outros sacrifícios. Eu a chamo de “teologia do sangue”. Mas será que Deus gosta mesmo de sangue e até de pessoas? Essa doutrina é mesmo uma blasfêmia contra Deus, pois ela iguala-O a espíritos vampiros atrasadíssimos.

A palavra grega “lutron” foi traduzida por resgate no texto bíblico: “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10: 45). Mas essa palavra grega pode ser traduzida também por “libertação”. E não se pode negar que o que nos liberta (salva) de fato é a vivência do Evangelho, sem o que poderiam morrer na cruz 300 Jesus, e ninguém se salvaria. Sim, porque a missão de Jesus foi verdadeiramente a de trazer-nos a Boa Nova, em consequência disso, O assassinaram, o que foi mais um grande pecado. Realmente, se Jesus ensinou que Deus não quer sacrifícios, mas misericórdia, ficou claro para nós que sacrifício é mesmo desagradável a Deus, e principalmente no caso de Jesus, pois foi o assassinato dum enviado de Deus todo especial: o Messias prometido. Além disso, como pode esse pecado gravíssimo pagar os pecados da humanidade? Isso seria semelhante à compra de uma coisa com dinheiro falso!

Realmente, o que nos salva mesmo é a doutrina da vivência do Evangelho. Ou Jesus perdeu seu tempo em no-la trazer? E ela tem por pedra angular o amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos. E Jesus foi taxativo sobre isso. Daí Ele ter dito que seus discípulos são conhecidos por se amarem uns aos outros (João 13: 35). Ensinou também que a cada um será dado segundo suas obras (Mateus 16: 27); amai-vos uns aos outros como eu vos amei (João 13: 34); perdoados lhe são seus muitos pecados, porque ela muito amou (Lucas 7: 47).

A lei universal, bíblica e divina de causa e efeito é uma grande verdade que discorda dos teólogos defensores do sacrifício da morte vicária (pagadora) de Jesus na cruz. Ele próprio disse a Tiago e a João, que queriam sentar-se um à sua direita e outro à sua esquerda (Marcos 10: 35), que isso competia a Deus determinar, isto é, à lei de Deus de causa e efeito ou da semeadura e da colheita. E isso está também de acordo com o fato de Jesus ter dito que deu sua vida em resgate para muitos, ou seja, apenas dos que já têm méritos (Marcos 10: 45), ficando a libertação dos outros para depois, quando eles tiverem vivenciado o evangelho para, aí sim, poderem passar igualmente pela porta estreita!




terça-feira, 8 de setembro de 2015

A bíblia e a vida após a morte...


A presença na Bíblia de espíritos encarnados e desencarnados






 
Tornei-me espírita porque constatei que muitas verdades bíblicas são espíritas. Eu ainda era católico de carteirinha quando descobri a verdade da reencarnação na Bíblia. Depois, foi a vez de eu encontrar também nela uma grande quantidade de fenômenos pneumáticos ou mediúnicos, na linguagem paulina: dons espirituais.

Eu estudei para padre redentorista e amo a Igreja e a Bíblia. E procuro reconciliar as igrejas seguidoras da Bíblia com a doutrina dos espíritos codificada por Kardec, que não modificou a Bíblia em nada. Ele simplesmente escreveu a joia preciosa literária cristã de esclarecimento e valorização da Bíblia: “O Evangelho segundo o Espiritismo” (traduzido por este colunista), em que Kardec sintetiza as máximas do Evangelho. E o próprio Jesus sintetizou sua doutrina, ao ensinar que ela está contida no primeiro mandamento do Decálogo: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” (Mateus 22: 37). A afirmação, pois, de que é falsificador da Bíblia quem faz uma síntese do Evangelho é fruto duma ignorância sem tamanho ou de má-fé, o que é próprio dos religiosos fanáticos de fé cega.

E quando Paulo diz: “Julgai todas as coisas e retende o que é bom” (Tessalonicenses 5: 21), ele quer dizer que devemos usar bem a nossa inteligência no estudo das coisas, o mesmo ensino de Kardec, que nos aconselha a termos uma fé raciocinada, e não cega. E Jesus corrigiu erros da Bíblia no Velho Testamento: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5: 43 e 44). Nem tudo na Bíblia é, pois, certo, mas há irmãos nossos evangélicos que têm um bom conhecimento bíblico e escrevem e falam bem, mas acham que até uma vírgula na Bíblia é de Deus! Isso é o resultado do fundamentalismo religioso de fé cega, o que é um incentivo para o materialismo!

Outro erro grave dos religiosos seguidores fanáticos da Bíblia é querer negar, a qualquer custo, a presença de espíritos na Bíblia, apesar de ser isso tão claro nela. Sim, só que os espíritos são chamados de “anjos” e, muitas vezes, são tidos erradamente como sendo o próprio Deus. Por exemplo, o Decálogo foi entregue a Moisés por um anjo, e não pelo próprio Deus (Atos 7: 30). E o que é anjo? Anjo (“aggelos”, em grego do Novo Testamento) é mensageiro, enviado. E anjos são espíritos humanos de alto nível de evolução. Mas há também anjos ainda maus enviados por outros espíritos.

E até Jesus evoluiu como espírito humano que Ele é e que se encarnou como o homem Messias prometido, que, segundo a Bíblia, não é o próprio Deus. Aliás, Deus no-lo enviou. Deus é, pois, o “enviador”, Jesus o enviado por Deus. Se Jesus fosse o próprio Deus, a Bíblia não usaria jamais a expressão de que “Ele é enviado de Deus”, mas que Deus veio ao nosso mundo! Ademais, Deus é imutável, e Jesus, o homem Messias, evoluiu (Hebreus 5: 9).

A Bíblia, realmente, está povoada de espíritos encarnados e desencarnados. E estes inspiraram os espíritos dos autores que a escreveram. Mas, como já vimos, nem todos os espíritos inspiradores dos espíritos dos autores bíblicos são bons. E é por isso que a Bíblia tem erros e contradições, o que nos prova que não é verdade que ela seja, literalmente, a palavra de Deus como muitos ainda pensam!





















JOSÉ REIS CHAVES




Jesus e seu papel segundo a teologia.



Se for a morte de Jesus que nos salva, louvemos seus assassinos












O ser apreciador de sangue derramado de vítimas sacrificadas não pode ser o Deus verdadeiro, mas um espírito atrasado. E o que aconteceu com os autores da Bíblia foi que espíritos atrasados apreciadores de sacrifícios sangrentos inspiraram-nos com essas ideias erradas. E, o pior, os autores e os teólogos pensaram que esses espíritos fossem o Espírito do próprio Deus!

Esse erro absurdo é a causa principal de muita descrença. Como pode Deus todo-poderoso, a inteligência suprema e a causa primeira de todas as coisas, na definição dos espíritos de acordo com Kardec, e que é o único ser incontingente, segundo são Tomás de Aquino, gostar de sacrifícios e mortes sangrentas? Que Deus seria esse? “Misericórdia quero, e não sacrifícios” (Mateus 9: 13).

E a ideia errada de que a Bíblia é, literalmente, a palavra de Deus, defendida até hoje por muitos religiosos fundamentalistas, acaba levando muitos de seus seguidores ao materialismo.

Vejamos exemplos de instruções que não são de espíritos enviados de Deus, embora Moisés tenha pensado, erradamente, que tais espíritos fossem até o do próprio Deus: “Agora, pois, matai de entre as crianças todas as do sexo masculino; e matai toda mulher que coabitou com algum homem, deitando-se com ele” (Números 31: 17). “Porém, todas as meninas, e as jovens que não coabitaram com algum homem, deitando-se com ele, deixai-as viver para vós outros” (Números 31: 18); “Samaria levará sobre si a sua culpa, porque se rebelou contra o seu Deus; cairá à espada, seus filhos serão despedaçados, e suas mulheres grávidas serão abertas pelo meio” (Oseias 13: 16). “Comereis a carne de vossos filhos e de vossas filhas” (Levítico 26: 29). “Portanto, os pais comerão a seus filhos no meio de ti, e os filhos comerão a seus pais; executarei em ti juízos, e tudo o que restar de ti espalharei a todos os ventos” (Ezequiel 5: 10).

O Espírito Santo de Deus da Primeira Pessoa da Santíssima Trindade não se rebaixaria a tanto dando ordens tão estranhas a um profeta e fazendo ameaças vingativas e cruéis como as que acabamos de ver. E mesmo sabendo que não as podemos interpretar literalmente, não podemos sequer pensar, nem de longe, em atribuí-las ao Deus verdadeiro ensinado por Jesus que nos trouxe o código de regras morais com as quais, se as seguirmos, poderemos acelerar a nossa evolução espiritual em busca da nossa perfeição e salvação. E se não fosse isso o objetivo de Jesus, então Ele teria perdido o seu tempo em vir aqui como enviado de Deus para trazer-nos o evangelho, o código mais perfeito de moral existente, e até poderíamos, então, rasgá-lo de vez!

Sem chance, pois, a tese teológica de que é o seu sangue derramado na cruz que nos salva, mesmo porque foi mais um grande pecado cometido pelos responsáveis por sua morte. E, realmente, não é a prática do pecado que nos redime, pois até aumenta o nosso carma de sofrimento, mas a prática de boas ações: do amor e da caridade. “(...) O amor cobre multidão de pecados.” (1 Pedro 4: 8). Não é, portanto, a morte de Jesus que nos redime, mas a prática da virtude da caridade e do amor. Aliás, Deus não é um Espírito atrasado vampiro.

E se fosse realmente a morte de Jesus que anulasse nossos pecados, poderíamos e até deveríamos aplaudir seus assassinos, pois eles é que seriam nossos salvadores!

fonte. o tempo


JOSÉ REIS CHAVES

O que nos salva?



Jesus deu sua vida por nós, mas o que nos salva é o seu evangelho

O Judaísmo recebeu influência das religiões pagãs das nações vizinhas da Palestina. E essas influências passaram também para o Novo Testamento e, pois, para o cristianismo. Uma delas é a de que Deus gosta de sacrifícios. Isso porque o Espírito de Deus foi, no passado, confundido, frequentemente, com os espíritos manifestantes atrasados que gostam de sacrifícios de sangue. Aliás, tal engano aparece muito, também, na própria Bíblia, principalmente, no Velho Testamento.

E são Paulo, que foi judeu fervoroso, foi quem levou para o Novo Testamento essas ideias de sacrifícios agradáveis a Deus, da doutrina da redenção pela morte de Jesus na cruz e, também, da salvação pela graça e pela fé, e não por obras (se bem que ele se referiu às obras das leis mosaicas). As suas doutrinas estão nas suas 13 cartas, e como elas foram os primeiros escritos do Novo Testamento, elas influenciaram os autores dos demais livros bíblicos adotados pelo cristianismo e, consequentemente, os teólogos cristãos.

Santo Agostinho defendeu muito as doutrinas paulinas da salvação pela graça e fé, polemizando muito a respeito dela com o grande teólogo Pelágio, seu contemporâneo. Também Lutero defendeu-a muito. A Igreja foi contra ela durante séculos, seguindo, pois, a teologia de Pelágio. Mas, recentemente, por influência dos protestantes e dos evangélicos, a Igreja passou a aceitar também, mas discretamente, essa doutrina.

Há momentos em que Paulo até parece continuar judeu: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne” (Romanos 2: 28). E chega mesmo a dizer que ele tem seu evangelho. “No dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens de conformidade com o meu evangelho” (Romanos 2: 16).

Vejamos agora a sua doutrina de sacrifícios agradáveis a Deus, inclusive a da morte de jesus na cruz como redenção da humanidade: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: ‘isto é meu corpo, que é dado por vós; fazei isso em memória de mim’. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isso, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim’” (1 Coríntios 11: 23 a 25).

Eis agora essa doutrina passada para o evangelho de Marcos: “E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: ‘Tomai, isto é o meu corpo’. Então lhes disse: ‘Isto é o meu sangue, o sangue da (nova) aliança, derramado em favor de muitos’” (Marcos 14: 22 a 24).

Mas Jesus até repudia sacrifícios: “Mas se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não teríeis condenado a inocentes.” (Mateus 12: 7).

Afinal de contas, é o sacrifício da morte de Jesus na cruz ou a prática das boas obras que nos salva? Sem dúvida, são as boas obras, pois Jesus assim ensinou: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória do Pai, com os anjos, e então dará a cada um conforme as suas obras.” (Mateus 16: 27). E é o próprio Paulo que, em outra parte, surpreendentemente, confirma também essa grande verdade de que Deus retribuirá a cada um segundo o seu procedimento. (Romanos 2: 6).

fonte. o tempo

JOSÉ REIS CHAVES  TEÓSOFO e biblista